Jornal Ação de Barão/RS.


19/05/2026 às 22:50 // .
Comenta-se muito sobre amor. Sobre encontros, intensidade, paixão e permanência. Mas quase ninguém comenta sobre o desgaste silencioso de sentir sozinho dentro de uma relação.
Porque o amor não começa a morrer nas grandes brigas. Ele começa a desaparecer nos detalhes. Na falta de reciprocidade. Na ausência de esforço. Na sensação constante de estar carregando algo que deveria ser dividido entre duas pessoas.
E dói perceber isso.
Dói entender que, enquanto você se preocupava em manter tudo vivo, o outro parecia confortável em apenas existir ali. Sem profundidade. Sem entrega. Sem perceber o quanto pequenos vazios também machucam.
O pior da ausência emocional é que ela transforma carinho em frustração. Aos poucos, a paciência vira cansaço. O cuidado vira cobrança. E a saudade começa a existir mesmo quando a pessoa ainda está presente.
Então nasce a raiva.
Não aquela explosiva dos filmes, mas a raiva silenciosa. A que fica presa no peito depois de tantas conversas não resolvidas. A que aparece quando você percebe quantas vezes diminuiu suas próprias dores para manter alguém confortável.
Mas talvez a raiva também seja um aviso.
Um limite gritando depois de muito tempo sendo ignorado.
Porque chega uma hora em que a gente entende: amor não é sobre aceitar migalhas emocionais enquanto tenta convencer o próprio coração de que aquilo basta. Amor também é presença, entrega, vontade. E quando só um lado tenta, o relacionamento deixa de ser abrigo e começa a virar peso.
No fim, algumas dores não aparecem para destruir a gente. Aparecem para ensinar que reciprocidade nunca deveria ser um pedido básico dentro de qualquer amor.
Por Jaqueline Debald, escritora e autora de cinco livros publicados. Observadora das ruas, dos silêncios e das pequenas revoluções que acontecem na vida comum, escreve para transformar sentimentos em reflexão e pertencimento. Para saber mais, acesse: https://sites.google.
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