Jornal Ação de Barão/RS.

Entre em Contato

Telefone

(51) 99533-9584

Endereço

R. Profa. Maria Edite Selbach, 29/102 - Centro, Barão - RS, 95730-000.
Jornal Ação

O QUE NÃO CABE NA MANCHETE

04/06/2026 às 16:41 // .

Comenta-se que o ano está passando rápido. Mas talvez a pergunta mais importante seja: o que estamos deixando passar junto com ele?

Janeiro costuma chegar carregado de promessas. Fazemos listas, traçamos metas, estabelecemos mudanças e acreditamos que, desta vez, tudo será diferente. Há uma esperança bonita nos começos. A sensação de que temos doze meses inteiros para construir aquilo que desejamos.

Então os dias começam a acontecer.

As contas chegam, o trabalho exige, os problemas aparecem, as responsabilidades ocupam espaço. Quando percebemos, junho já está batendo à porta e aquela lista feita no início do ano parece distante, guardada em alguma gaveta física ou emocional.

Mas esta não é uma reflexão sobre fracassos.

Talvez a metade do ano não exista para nos lembrar do que não conseguimos fazer, mas para nos convidar a olhar para aquilo que ainda podemos fazer.

Nem sempre abandonamos nossos sonhos porque desistimos deles. Às vezes, apenas nos perdemos no caminho. Outras vezes, a vida muda a rota e nos obriga a redefinir prioridades. E isso também faz parte da jornada.

O perigo está em deixar que os dias passem sem percebermos o que estamos adiando. Aquela ligação importante. O curso que queremos começar. O cuidado com a saúde. O pedido de desculpas. O livro que sonhamos escrever. A visita que prometemos fazer. O tempo que gostaríamos de dedicar a quem amamos.

Muitas vezes acreditamos que teremos uma ocasião melhor, uma semana mais tranquila ou um momento perfeito para começar. Mas o tempo tem uma característica curiosa: ele não para para que estejamos prontos.

Enquanto esperamos a oportunidade ideal, os meses seguem seu curso.

Junho nos lembra que ainda há caminho pela frente. Ainda existem páginas em branco esperando para serem escritas. Ainda há espaço para recomeços, ajustes de rota e novas escolhas.

Talvez não seja necessário recuperar tudo o que ficou para trás. Talvez seja suficiente escolher uma única coisa que realmente importa e dar o primeiro passo.

Porque, no fim das contas, a vida não é feita apenas dos planos que realizamos. É feita também da coragem de retomar aqueles que, por algum motivo, ficaram esperando.

E se o ano está passando rápido, talvez a pergunta não seja quantos meses já foram embora.

Talvez a pergunta seja: o que ainda vale a pena levar conosco para os meses que estão por vir?

 

Por Jaqueline Debald, escritora e autora de cinco livros publicados. Observadora das ruas, dos silêncios e das pequenas revoluções que acontecem na vida comum, escreve para transformar sentimentos em reflexão e pertencimento. Para saber mais, acesse: https://sites.google.com/view/escritorajaquelinedebald