Jornal Ação de Barão/RS.


16/01/2026 às 10:47 // Informações.
As férias de verão costumam ampliar a presença de famílias em praças, parques e áreas abertas. No mesmo período, o aumento das horas de luz estimula a atividade reprodutiva dos gatos, que passam a circular mais pelas ruas, com livre acesso a diferentes ambientes. Esse cenário contribui para a disseminação da esporotricose, doença causada por fungos do gênero Sporothrix, que provoca lesões na pele e pode ser transmitida a humanos.
Segundo o médico-veterinário Carlos Brunner, professor titular da Universidade Paulista, a doença representa um desafio crescente para a saúde animal e pública. “A esporotricose exige acompanhamento veterinário e tratamento prolongado. Em muitos municípios, especialmente onde há grande número de gatos nas ruas, o controle se torna difícil”, afirma. O tratamento tradicional envolve medicação oral diária por meses, com resposta variável conforme o estágio da doença e as condições do animal.
A preocupação aumenta porque a esporotricose é transmissível entre animais e humanos. Desde 2025, os casos em pessoas passaram a ser de notificação obrigatória pelo Ministério da Saúde, diante do avanço da doença em diferentes regiões do país.
A médica-veterinária Isabella Dib Gremiao, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz, explica que a principal forma de transmissão ocorre por mordidas e arranhões de gatos doentes. “Também pode haver infecção após ferimentos causados por materiais vegetais contaminados, como espinhos ou farpas, mas o contato direto com gatos infectados é o maior risco”, esclarece.
Ela destaca que o lazer em áreas abertas não deve ser evitado, desde que alguns cuidados sejam observados. “O simples contato com solo, areia ou grama não representa risco significativo. O ponto central é evitar interação com gatos doentes e prevenir arranhões, mordidas ou contato com secreções das lesões”, orienta.
Os sinais da esporotricose felina costumam ser visíveis. Entre os mais comuns estão feridas na pele que não cicatrizam, muitas vezes com secreção, sangue ou pus, localizadas principalmente na face, nariz, orelhas, patas e cauda. Em alguns casos, há sintomas respiratórios, como espirros frequentes, associados a lesões na região nasal.
Para reduzir o risco de transmissão, especialistas recomendam:
Evitar contato com gatos desconhecidos, especialmente se apresentarem feridas.
Lavar bem as mãos após atividades ao ar livre e após o manuseio de animais.
Manter crianças calçadas e com a pele protegida, evitando contato direto com feridas.
Em caso de suspeita em gatos domiciliados, usar luvas para medicar o animal, higienizar o ambiente e seguir rigorosamente as orientações do médico-veterinário.
A pesquisadora ressalta que gatos doentes não devem ser abandonados. “A esporotricose tem cura, principalmente quando diagnosticada precocemente. O tratamento adequado reduz o sofrimento do animal e interrompe a cadeia de transmissão”, afirma.
Pesquisadores brasileiros também desenvolvem uma alternativa que pode abreviar o tratamento da doença. Um equipamento chamado SPORO PULSE, criado por um grupo de veterinários e um zootecnista que será fabricado pela Akko Health Devices, utiliza pulsos elétricos para atingir o fungo sem danificar o tecido saudável do animal. O método está em fase de testes clínicos e tem lançamento previsto para 2026.
De acordo com Brunner, a técnica pode reduzir significativamente o tempo de tratamento. “Resultados preliminares indicam melhora importante das lesões com uma ou duas aplicações, diminuindo o uso prolongado de medicamentos. Isso pode ter impacto direto na saúde pública, ao reduzir o período em que o animal permanece transmissor”, explica.
Especialistas destacam, no entanto, que a prevenção, o diagnóstico precoce e o acompanhamento profissional seguem sendo as principais estratégias para o controle da esporotricose.

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