Jornal Ação de Barão/RS.


16/05/2026 às 22:06 // Eventos.
A inauguração do novo espaço da Nona Diva, realizada neste sábado, 16 de maio, em Barão Velho, reuniu famílias, clientes, amigos e moradores em um ambiente que conseguiu unir expansão comercial, acolhimento e identidade colonial da Serra Gaúcha.
Mais do que apresentar uma nova estrutura, a agroindústria familiar mostrou ao público a continuidade de uma história construída ao longo de décadas entre cucas, massas artesanais, pão caseiro e convivência familiar.
O endereço permanece o mesmo que acompanha a história da empresa há anos. A diferença é que agora a Nona Diva passou a ocupar o outro lado da rua, em uma estrutura ampla, moderna e preparada para receber visitantes com mais conforto, permanência e integração com o ambiente externo.
E foi justamente essa nova estrutura que chamou a atenção dos primeiros clientes do novo espaço.
Logo após a abertura das portas, um casal que passava pela via decidiu parar ao perceber as luzes acesas, o movimento e a beleza do ambiente. A impressão inicial era de que se tratava de um estabelecimento tradicional já consolidado há muito tempo na região. Ao descobrirem que aquele era justamente o primeiro dia da nova fase da Nona Diva, os visitantes se emocionaram com a coincidência de estarem presentes no início de um novo capítulo da história da agroindústria e, de certa forma, também da própria memória afetiva construída em Barão Velho.
O novo espaço chama atenção pela integração entre arquitetura contemporânea e atmosfera colonial. O estacionamento ampliado, os ambientes envidraçados, os gramados e os espaços externos criam uma sensação de acolhimento logo na chegada. No interior, o visitante encontra áreas pensadas para convivência e consumo no local, em um ambiente onde a decoração ajuda a transformar a experiência em algo carregado de memória afetiva.
Nichos de madeira exibem cucas, biscoitos, amanteigados, massas e pães artesanais. Barris transformados em mesas expõem produtos coloniais, enquanto rádios antigos, máquinas de costura, xícaras, bules esmaltados e objetos históricos espalhados pelo ambiente reforçam a sensação de uma antiga casa de família preservada com cuidado ao longo do tempo.
Os detalhes aparecem até mesmo nos ambientes menos esperados. No banheiro feminino, a pia foi instalada sobre uma antiga máquina de costura. Do lado externo, pallets distribuídos pelo gramado, mesas ao ar livre e uma namoradeira de madeira com o nome “Nona Diva” completam o espaço criado para receber pessoas, encontros e permanência.
A ampliação da estrutura atende a uma necessidade percebida ao longo do crescimento da empresa. Durante a inauguração, a proprietária Eliane Sandrin lembrou que o espaço anterior já havia passado por outras reformas e que a nova intervenção surgiu da necessidade de oferecer mais conforto, estacionamento e espaço para consumo no local.
Mas a trajetória da Nona Diva começou muito distante da estrutura atual.
Tudo nasceu dentro da cozinha da família, inicialmente com a produção artesanal de capelettis. Depois vieram os pães caseiros e, aos poucos, as cucas começaram a ganhar espaço entre as encomendas. Uma das primeiras produções resultou em apenas seis cucas assadas, quantidade hoje simbólica diante da dimensão alcançada pela agroindústria familiar.
A história acompanhou o caminho tradicional de muitas agroindústrias da Serra Gaúcha: crescimento gradual, sustentado pelo trabalho diário, pela confiança construída com os clientes e pela participação constante da família em todas as etapas da produção.
Mesmo com a consolidação da marca, a participação em feiras e o reconhecimento regional, a essência familiar permaneceu evidente. E ela apareceu de forma especialmente simbólica durante a inauguração.
A presença da própria Nona Diva no evento deu ao momento um significado ainda mais afetivo. Já afastada da produção diária por questões de saúde e pela idade avançada, ela atualmente participa apenas de ocasiões especiais, momentos em que sua presença se torna indispensável para a própria história da empresa.
Como gesto simbólico pela abertura do novo espaço, a nona preparou os tradicionais mini pãezinhos de nozinho. Pequenos detalhes que ajudam a explicar a ligação emocional construída entre a marca e a comunidade ao longo dos anos.
Durante a cerimônia, emocionada, ela falou sobre a convivência construída ao longo da trajetória da agroindústria: “Essas colaboradoras ajudam muito. Hoje eu ainda fui fazer os pãezinhos, como a Eliane comentou, mas já não tenho mais as mãos de antes para esse trabalho. Então eu só peço que tudo continue bem. E o que mais ajudou em toda essa caminhada foi que nunca houve desentendimento. Nunca tivemos palavras de ofensa entre as funcionárias, nem entre os meus filhos, que sempre vêm ajudar quando precisa. Foi uma ajudando a outra.”
A fala resume muito daquilo que a empresa preserva mesmo diante do crescimento da estrutura: relações humanas, convivência familiar e um ambiente sustentado pela colaboração entre gerações.
Hoje a condução da Nona Diva está sob responsabilidade de Eliane Sandrin, que supervisiona e dirige a nova fase da agroindústria ao lado do esposo Luciano Sandrin, da filha Juliana, da equipe e de amigos próximos da família.
O cuidado aparece em cada detalhe do espaço, desde a organização dos ambientes até a forma de receber os visitantes. Existe profissionalização da estrutura, planejamento e identidade visual bem definida, mas tudo conduzido de maneira acolhedora e próxima da comunidade.
A tarde de inauguração também foi marcada pela música. A Orquestra Municipal de Barão passava pela via de acesso à padaria e realizou uma apresentação especial para alegrar o ambiente, ampliando ainda mais o clima comunitário e festivo da abertura. Mais tarde, durante a programação, o cantor Cleison Santos assumiu o palco com repertório de canções tradicionais da região, pop sertanejo e baladas em ritmo de valsa, acompanhando o ritmo descontraído da celebração.
Os visitantes foram recebidos com chopp, suco natural e bolinhos de batata durante a programação, enquanto pedaços de cuca e potes com jabuticabas frescas permaneciam à disposição do público gratuitamente ao longo da tarde. A simplicidade desses gestos ajudava a reforçar justamente aquilo que construiu a trajetória da Nona Diva desde os primeiros anos: comida compartilhada, acolhimento e a hospitalidade típica das famílias do interior da Serra Gaúcha.
Durante toda a inauguração, famílias inteiras ocuparam as mesas externas, crianças circulavam pelo gramado e os visitantes eram recebidos quase como amigos da casa. Entre o frio leve do entardecer serrano, o cheiro de pão recém-assado, a música espalhada pelo ambiente e os abraços distribuídos pelo espaço, o clima lembrava muito mais um encontro comunitário do que uma simples inauguração comercial.
Ao final da tarde, o novo espaço deixava evidente que algumas empresas conseguem crescer justamente porque preservam aquilo que muitas vezes desaparece com o tempo: presença, memória, permanência e vínculo humano.
O dia 16 de maio agora passa a ocupar um espaço especial na memória da comunidade de Barão Velho e da própria trajetória da Nona Diva, uma história que continua crescendo sem perder o vínculo com as origens.
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