Jornal Ação de Barão/RS.


26/06/2026 às 18:19 // Educação.
Em uma noite fria de quinta-feira, 25 de junho, Barão encerrou um ciclo de formação que começa a produzir efeitos concretos nas escolas municipais. O encontro marcou a conclusão das atividades do curso de Pedagogia Sistêmica, oferecido pela Prefeitura de Barão aos gestores da educação, com a participação de Elis Formaio, consteladora sistêmica e responsável pela formação.
A atividade reuniu equipes escolares, representantes dos CPMs autoridades e convidados. Durante o encontro, diretoras e gestoras apresentaram experiências desenvolvidas nas unidades de ensino e relataram mudanças percebidas na rotina escolar após a aplicação dos conhecimentos trabalhados no curso.
A Pedagogia Sistêmica parte da compreensão de que a criança chega à escola com uma história, uma família, vínculos afetivos e experiências que interferem diretamente na forma como aprende, convive e se comporta. A proposta amplia o olhar da escola sobre o estudante e ajuda as equipes a compreenderem que a aprendizagem também depende de pertencimento, acolhimento, vínculo, ordem, equilíbrio e respeito à história de cada pessoa.
Em Barão a formação ganha relevância por ser uma abordagem ainda pouco utilizada em redes de ensino. O município passa a figurar entre os pioneiros da região ao investir nessa prática com suas equipes diretivas, desde a Educação Infantil até os anos finais do Ensino Fundamental.
Nos relatos apresentados as gestoras destacaram que o curso provocou mudanças de postura dentro das escolas. Entre os aprendizados citados estão o olhar mais atento para a criança, o respeito à família, o fortalecimento do vínculo com os educadores, a melhoria na disciplina, a escuta sem julgamento e a importância de uma postura mais firme, acolhedora e responsável diante dos desafios diários.
Uma das experiências relatadas envolveu o trabalho com crianças pequenas em fase de adaptação escolar. A partir das atividades propostas, professoras e monitoras passaram a utilizar recursos simbólicos para aproximar a família da rotina da escola. Corações confeccionados pelos pais, cartas deixadas para os filhos e materiais ligados à ideia do “fio invisível” passaram a permanecer nas salas, perto das mochilas ou em espaços de referência para as crianças.
Segundo o relato apresentado, esses objetos ajudam os pequenos a se sentirem mais seguros quando sentem saudade, choram ou enfrentam dificuldade de adaptação. Em alguns momentos as professoras leem as cartas enviadas pelas famílias para acalmar as crianças e reforçar que pai e mãe continuam presentes como força afetiva, mesmo à distância física durante o período escolar.
Outra prática citada foi a construção de painéis de memória com educadoras. A atividade partiu de fotografias pessoais trazidas pelas profissionais, como registros de infância, família ou formatura. A proposta levou a equipe a refletir sobre a própria história e sobre as memórias que deseja deixar para os alunos. A partir dessa vivência o pertencimento passou a ser trabalhado também entre os educadores, fortalecendo a percepção de que todos ocupam um lugar importante no ambiente escolar.
As gestoras também relataram o uso de práticas como “Eu vejo você”, a construção de bonecos de força e atividades voltadas à chamada Ordem da Vida, com foco no respeito a quem veio antes, na valorização da história familiar e no reconhecimento do lugar de cada pessoa dentro do sistema escolar. Essas experiências foram aplicadas com equipes, crianças e famílias.
Durante a apresentação foi ressaltado que a mudança também aparece na forma como os profissionais passaram a lidar com situações de indisciplina, choro, conflitos e dificuldades de comportamento. O curso ajudou as equipes a observar o que pode existir por trás de cada reação da criança, com mais paciência, limite, responsabilidade e respeito pela realidade familiar.
A formação também fortaleceu o vínculo entre as direções das escolas municipais. Conforme relatado no encontro, as equipes passaram a conversar mais, trocar experiências e trabalhar de forma mais integrada. Esse movimento reforça a educação como uma construção coletiva, sustentada por relações mais conscientes entre gestores, professores, monitores, famílias e alunos.
Para o município, o investimento representa uma aposta na qualidade do ensino a partir da qualificação humana das equipes. Ao levar a Pedagogia Sistêmica para dentro das escolas Barão amplia as ferramentas de gestão educacional e abre espaço para uma forma de trabalho que considera o estudante em sua totalidade: aprendizagem, comportamento, emoções, história familiar e pertencimento.
Elis Formaio também adiantou que prepara, para o próximo ano, uma pós-graduação voltada à Pedagogia Sistêmica. A proposta deve ampliar o acesso a esse conhecimento para profissionais que desejam aprofundar a aplicação da abordagem no contexto educacional.
O encerramento do curso deixou evidente que a formação não ficou restrita à teoria. Nas escolas municipais de Barão o conhecimento já aparece nas salas, nas reuniões com famílias, na postura das equipes e na forma como as crianças são acolhidas. Trata-se de um aprendizado vivido, praticado e incorporado à rotina escolar.
Imagens: Rita Santos
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação

A alfabetização segue no centro das ações educacionais de São Pedro da Serra. Na noite de quarta-feira, 24 de junho, o município realizou mais um encontro formativo do Programa Alfabetiza Tchê,...

A CooperGomes, cooperativa escolar da EMEIEF Carlos Gomes, em Barão, apresenta nesta publicação uma reflexão sobre o cooperativismo e sua importância para a formação dos estudantes. O texto,...

O estudo sobre abandono de crianças e adolescentes saiu da pesquisa e chegou à comunidade em forma de campanha. Alunos do 7º ano A da EMEIEF Carlos Gomes, em Barão, estão arrecadando leite para doar ao Lar...
| Salário Mínimo | 1.621,00 |