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PEC do fim da escala 6x1 leva empresas a rever custos e equipes, aponta pesquisa

15/09/2026 às 21:47 // Informações.

A possibilidade de redução da carga horária semanal e do fim da escala 6x1 já leva empresas a revisar custos, dimensionamento de equipes e modelos de operação. Uma pesquisa realizada pela consultoria Carreira Muller com 486 companhias mostra que 90,13% esperam ser afetadas pela Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019.

Entre as empresas consultadas, 72,43% possuem atualmente funcionários que trabalham seis dias e folgam um. Para 72,83% das participantes, o impacto de uma eventual aprovação da proposta seria alto ou muito alto: 49,09% o classificam como alto e 23,74%, como muito alto.

A PEC prevê a redução gradual da carga horária máxima de 44 para 40 horas semanais, dois dias de repouso remunerado por semana e manutenção dos salários. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 2 de setembro e seguirá para votação no Plenário. Portanto, as novas regras ainda não estão em vigor. Segundo o Senado Federal, a proposta precisará ser aprovada em dois turnos, com pelo menos 49 votos favoráveis em cada votação.

Custos trabalhistas lideram preocupações

O aumento dos custos trabalhistas foi apontado por 82,96% das empresas ouvidas. Em seguida aparecem a necessidade de adequar escalas e turnos, citada por 77,63%; a dificuldade para manter o nível operacional, mencionada por 44,75%; a possibilidade de queda de produtividade, com 38,36%; e a necessidade de novas contratações, indicada por 33,30%.

Operações e produção aparecem como as áreas mais expostas à mudança, citadas por 72,37% das empresas. Também foram mencionados os setores de logística, com 36,99%; atendimento ao cliente, com 24,43%; manutenção, com 22,90%; e áreas administrativas e financeiras, com 22,60%.

A pesquisa aponta que as consequências devem atingir diferentes aspectos da gestão empresarial. Na organização de turnos e escalas, 49,40% das companhias preveem impacto alto e 33,09%, médio. Em relação à folha de pagamento, os percentuais são de 43,65% para impacto alto e 38,57% para médio.

A administração de horas extras e banco de horas também preocupa: 42,65% esperam impacto alto e 38,86%, médio. Na produtividade e no desempenho operacional, 38,85% projetam impacto alto e 40,53%, médio.

Quanto à necessidade de contratar mais funcionários, 29,79% das empresas preveem impacto alto e 43,74%, médio.

Empresas ainda apresentam baixo nível de preparação

Embora a maioria espere consequências relevantes, poucas companhias consideram estar completamente preparadas. Em uma escala de 1 a 5, apenas 3,42% atribuíram a si mesmas a nota máxima. Outras 21,23% escolheram a nota 4, enquanto 50,23% se colocaram no nível intermediário.

Na outra ponta, 15,52% estão no nível 2 e 9,59% afirmam não possuir preparação para a mudança. Os resultados mostram que aproximadamente três em cada quatro empresas se encontram, no máximo, em um estágio intermediário de organização.

A indefinição também aparece nos prazos. Entre as companhias consultadas, 43,84% ainda não estabeleceram quando começariam a implementar alterações. Outras 28,77% pretendem agir imediatamente após uma eventual aprovação da PEC e 18,64% estimam iniciar a adaptação em até três meses. Apenas 6,16% trabalham com prazo entre três e seis meses.

O desafio tende a ser maior entre pequenas e médias empresas que não possuem estruturas de Recursos Humanos preparadas para redesenhar escalas, calcular custos e dimensionar equipes em pouco tempo.

Temos recebido contatos diariamente de muitas pequenas e médias empresas de todo o país porque elas não tinham uma estrutura de RH planejada para uma mudança dessa magnitude. Com a possibilidade de aprovação da PEC, essas empresas terão de se planejar em ritmo acelerado, avaliando escalas, equipes, custos e produtividade para conseguir manter a operação”, afirma Marco Schanoski, CEO da Carreira Muller.

Reorganização dos turnos aparece antes das contratações

A revisão dos turnos para otimizar os horários de trabalho é a alternativa mais considerada pelas empresas, mencionada por 37,67% das participantes. A contratação de novos funcionários aparece logo depois, com 35,16%.

Mudanças estruturais, contudo, ainda não predominam. Segundo a pesquisa, 47,72% das empresas não planejam nenhuma medida desse tipo para compensar a eventual redução das horas trabalhadas. Entre as companhias que estudam alterações, 32,88% avaliam redesenhar processos e 32,65% consideram investir em automação e aumento da produtividade.

A adaptação tende a ser mais complexa em empresas que funcionam 24 horas por dia, durante os sete dias da semana. Nesses casos, a manutenção da cobertura integral com cargas horárias menores poderá exigir novos turnos e mais mão de obra.

O levantamento também estima um possível acréscimo de 10% nos custos de pessoal das prestadoras de serviços terceirizados. O aumento poderá afetar o equilíbrio econômico de contratos firmados antes de uma eventual mudança constitucional.

RH lidera discussão dentro das empresas

Em 56,62% das companhias participantes, o setor de Recursos Humanos conduz internamente a discussão sobre as possíveis adequações. A negociação coletiva, entretanto, permanece em estágio inicial.

De acordo com o levantamento, 55,02% ainda não começaram a negociar com sindicatos, embora estejam avaliando o assunto. Outros 20,78% não souberam informar, 11,19% pretendem iniciar as conversas nos próximos meses e somente 3,65% afirmam já ter aberto uma negociação coletiva.

A procura por apoio externo também deverá crescer. A assessoria jurídica trabalhista foi apontada por 50,91% das empresas. Na sequência aparecem redesenho de processos e planejamento, com 37,44%; comparação com práticas de mercado, com 35,62%; análise de impacto econômico, com 28,31%; e diagnóstico de impacto e planejamento financeiro, com 26,71%.

O que acontece agora

A PEC ainda deverá ser votada pelo Plenário do Senado em dois turnos. Se aprovada sem alterações, seguirá para promulgação pelo Congresso Nacional.

O texto estabelece um período de adaptação de 14 meses. A carga horária máxima cairia de 44 para 42 horas semanais após 60 dias da promulgação. Um ano depois, passaria definitivamente para 40 horas. Os dois dias de repouso semanal remunerado também começariam a valer após os primeiros 60 dias, sem redução salarial.

Até a conclusão da votação e a promulgação da emenda, permanecem válidas as regras atuais.

 

 

Imagem: Corporate  /Divulgação
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.

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