Jornal Ação de Barão/RS.


14/03/2026 às 11:13 // Agricultura.
Produtores rurais, prefeitos, vereadores, parlamentares e representantes de entidades participaram, na sexta-feira (13), de um debate sobre a crise da cadeia produtiva do leite durante a Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque. O encontro teve como pauta central o Projeto de Lei nº 412/2025, de autoria do deputado estadual Paparico Bacchi (PL), que propõe proibir a reidratação de leite em pó importado para uso industrial ou alimentício no Rio Grande do Sul.
Ao abrir o encontro, o presidente da Cotrijal e da Expodireto Cotrijal, Nei César Manica, destacou a relevância do tema e a importância do debate dentro da feira.
“A Expodireto sempre foi um espaço para discutir os grandes desafios do agro. O leite é uma atividade fundamental para milhares de famílias do nosso Estado e iniciativas como essa, lideradas pelo deputado Paparico Bacchi, são importantes para fortalecer essa cadeia produtiva”, afirmou.
A cadeia produtiva do leite movimenta cerca de R$ 9,5 bilhões por ano no Rio Grande do Sul e está presente em 451 municípios, com aproximadamente 28 mil propriedades, em sua maioria ligadas à agricultura familiar. Nos últimos dez anos o número de produtores caiu de mais de 84 mil para menos de 29 mil, com a saída de mais de 55 mil famílias da atividade.
Entre os fatores apontados para a crise do setor está o aumento das importações de derivados lácteos. Parte desses produtos chega ao país na forma de leite em pó, que pode ser reidratado e transformado novamente em leite líquido. Do ponto de vista técnico, um quilo de leite em pó pode gerar entre sete e oito litros de leite, ampliando a oferta no mercado e pressionando o preço pago aos produtores.
Diante desse cenário, o deputado Paparico Bacchi defendeu medidas de proteção à produção local.
“O que está acontecendo hoje é uma concorrência desleal com quem produz aqui. O produtor rural enfrenta custos altos e precisa competir com leite importado que entra no mercado em condições diferentes. Precisamos proteger quem produz no campo e garantir condições justas para a cadeia do leite no Rio Grande do Sul”, afirmou.
Representando os produtores, Rosângela Castelli ressaltou a mobilização do setor em defesa da atividade.
“Essa é uma pauta difícil para quem está no campo. Por isso agradecemos ao deputado por abraçar essa causa e abrir esse debate em defesa dos produtores de leite”, disse.
O presidente da APER – Associação dos Produtores e Empresários Rurais, Arlei Romeiro, destacou que o diálogo com o setor produtivo tem contribuído para aperfeiçoar o projeto.
“As audiências públicas e os debates são importantes para que a lei seja forte e não tenha brechas. Estamos em diálogo constante com os produtores para construir uma legislação que realmente proteja a cadeia do leite”, afirmou.
Durante o encontro, o suplente de senador Ireneu Orth também alertou para a redução no número de produtores e para a necessidade de maior valorização do setor primário.
“Quem produz alimentos sustenta grande parte da economia brasileira. Precisamos olhar com mais atenção para o setor primário e garantir condições para que os produtores continuem na atividade”, afirmou.
O senador Luis Carlos Heinze (PP) reforçou a importância da articulação entre produtores e lideranças políticas para enfrentar os desafios do setor.
“O produtor enfrenta custos cada vez maiores e muitas vezes os preços não acompanham essa realidade. Precisamos unir lideranças e parlamentares para buscar soluções para quem produz”, disse.
Representantes da indústria láctea também participaram do debate. O presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat) afirmou que a entidade não se posiciona contra a proposta e destacou a importância de construir uma solução equilibrada para toda a cadeia produtiva.
Propostas buscam fortalecer o projeto
Durante o encontro, entidades do setor apresentaram sugestões de aprimoramento ao Projeto de Lei nº 412/2025, que tramita na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa e aguarda relatoria do deputado Bonatto.
As propostas buscam ampliar o alcance da legislação para incluir composto lácteo, soro de leite em pó e outros derivados importados, além de impedir que esses produtos sejam utilizados na fabricação de bebidas lácteas e outros derivados.
Ao final do encontro, o deputado Paparico Bacchi afirmou que as contribuições apresentadas serão analisadas e poderão ser incorporadas ao projeto.
“Nosso compromisso é fazer as alterações necessárias para construir uma lei forte e efetiva, que realmente proteja a produção gaúcha e torne a vida dos produtores de leite melhor”, afirmou.

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