Jornal Ação de Barão/RS.


14/04/2026 às 23:31 // Agricultura.
A homenagem pelos 80 anos da Cooperativa de Laticínios General Neto, realizada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, foi além do reconhecimento institucional e trouxe à tona aspectos pouco explorados nas divulgações iniciais, incluindo os bastidores da produção leiteira e os desafios estruturais do setor no Estado.
Durante a apresentação exibida na cerimônia, a trajetória da cooperativa foi contextualizada a partir da transformação do próprio processo produtivo. O contraste entre o passado e o presente evidenciou uma mudança profunda: do transporte do leite em latões carregados a cavalo até a adoção de sistemas de resfriamento, rastreamento e controle sanitário. O relato destacou que a modernização não substituiu a base do trabalho, ainda sustentada por rotinas intensas, madrugadas de ordenha e exposição constante a variações climáticas.
A narrativa apresentada no evento também reforçou um ponto central pouco explorado nas publicações externas: a longevidade da cooperativa está diretamente associada à continuidade familiar no campo. A sucessão entre gerações foi apontada como fator determinante para a manutenção da atividade ao longo de oito décadas, com propriedades conduzidas por três ou quatro gerações da mesma família.
Outro elemento novo trazido pela cerimônia foi o dimensionamento simbólico do tempo de existência da cooperativa. O marco de 80 anos foi descrito não apenas como um dado cronológico, mas como resultado acumulado de milhares de ciclos produtivos, em um ambiente de trabalho a céu aberto, sujeito a secas, excesso de chuvas e oscilações de mercado.
No campo institucional, a fala do secretário adjunto de Desenvolvimento Rural do Estado, Alexandre Scheifler, ampliou o debate ao apresentar um dado que não aparece nas divulgações prévias: a redução expressiva no número de produtores de leite no Rio Grande do Sul nas últimas décadas. “Se remontarmos à década de 90, nós talvez tivéssemos mais de 100 a 120 mil produtores de leite no Rio Grande do Sul. Hoje, esse número caiu para menos de 30 mil”, afirmou.
A declaração insere a homenagem em um contexto mais amplo, em que a permanência de estruturas organizadas, como cooperativas, passa a ter papel estratégico diante da retração do setor.
Scheifler também detalhou a atuação histórica de entidades como sindicatos e federações na construção de garantias para o produtor, com foco não apenas na segurança jurídica, mas também na adaptação às exigências sanitárias e regulatórias, como a implementação da normativa 51, que impactou diretamente a cadeia leiteira.
A fala trouxe ainda um eixo de preocupação pouco explorado fora do evento: a sucessão rural como um dos principais desafios atuais da agricultura familiar. Segundo ele, a continuidade da atividade depende da capacidade de manter as novas gerações no campo, com condições de produção viáveis e valorização econômica.
No âmbito local, o prefeito de Barão, Biriba, apresentou um recorte prático sobre a gestão da cooperativa, destacando um ponto que não aparece nas divulgações institucionais: a política de remuneração ao produtor. Segundo ele, a cooperativa consegue manter pagamentos considerados competitivos, em alguns casos superiores aos de outras estruturas do setor, ao mesmo tempo em que preserva equilíbrio financeiro e capacidade de investimento. O modelo foi apontado como um caso relevante de gestão dentro do cooperativismo regional.
Outro aspecto destacado no evento foi a dependência direta da cadeia produtiva em relação à mão de obra especializada. Em uma das falas, foi ressaltado que a produção não se sustenta apenas na matéria-prima, mas na presença de trabalhadores qualificados para o processamento e a transformação do leite.
A cerimônia também evidenciou o caráter coletivo da homenagem. Além da entrega da Medalha da 56ª Legislatura ao presidente da cooperativa, Paulino Haas, todos os integrantes da comitiva receberam réplicas da honraria, reforçando o reconhecimento ao conjunto de associados e colaboradores.
Com participação de lideranças políticas, representantes de entidades do setor e produtores, o ato consolidou a homenagem como um marco comemorativo e também como um espaço de reflexão sobre o presente e o futuro da produção leiteira no Rio Grande do Sul.

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