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Carroças, tratores e caminhões contam mais de três décadas de tradição em Barão

24/07/2026 às 18:55 // Informações.

Uma carroça, um trator e um caminhão na mesma estrada. Em Barão, essa combinação forma uma espécie de linha do tempo: mostra como mudaram os instrumentos de trabalho, sem romper a ligação entre quem produz no campo e quem transporta pelas estradas.

Essa imagem acompanha há décadas as homenagens ao colono e ao motorista no município. Os registros disponíveis apontam celebrações tradicionais em General Neto Alto e Francesa Alta, com cultos, missas, bênçãos, desfiles de veículos, almoços comunitários e encontros dançantes.

A história mais bem documentada aparece em General Neto Alto. Em 2017, a comunidade realizou a 32ª Festa do Colono e Motorista. O Jornal Cooperação, da Certel, já descrevia o encontro como uma programação anual que atraía centenas de pessoas.

Dois anos depois, a 34ª edição reuniu mais de mil participantes no salão da Comunidade Evangélica. O público veio de diferentes localidades e deu dimensão regional a uma festa criada no interior de Barão.

Em 2022, o Portal Luterano registrou a 35ª edição. O dia começou com culto no templo da comunidade, com pastores, coral, grupo de canto e hinos dedicados aos trabalhadores do campo e das estradas. Depois, máquinas agrícolas, tratores, caminhões e carroças participaram do desfile. O churrasco no salão encerrou a programação comunitária.

A numeração das edições chama a atenção. Barão conquistou a emancipação em 1988. Como os registros definem a festa como anual, a sequência indica que a tradição surgiu por volta da metade da década de 1980, possivelmente antes da criação oficial do município. Os arquivos digitais consultados não informam o ano exato da primeira edição nem os nomes das pessoas que iniciaram a celebração.

Em Francesa Alta, a homenagem ganhou os símbolos da tradição católica. Calendários regionais de 2018 e 2019 registram a Festa do Colono e Motorista na Comunidade Nossa Senhora da Natividade. Procissão ou carreata, bênção dos veículos, missa, almoço e música aparecem entre os elementos mantidos pela comunidade.

As duas localidades expressam aspectos diferentes da formação cultural de Barão. General Neto Alto preserva uma celebração ligada à comunidade luterana. Francesa Alta mantém a missa e a devoção católica a São Cristóvão, reconhecido como protetor dos motoristas e viajantes. Em ambas, o trabalho ocupa o centro da homenagem.

A força dessa tradição encontra explicação na própria história do município. Segundo a Biblioteca do IBGE, Barão recebeu forte influência dos imigrantes alemães e italianos. A localidade também cresceu ao lado da ferrovia que conectava Porto Alegre a Caxias do Sul.

A Estação de Barão foi inaugurada em 1º de dezembro de 1909. Durante décadas, os trilhos contribuíram para o transporte de pessoas e mercadorias. A ferrovia saiu de operação em junho de 1979, e as estradas passaram a ter peso ainda maior na circulação da produção regional.

O agricultor e o motorista representam, portanto, duas partes de uma mesma atividade econômica. Um planta, cuida e colhe. O outro conduz alimentos, animais, insumos e mercadorias entre o interior, as indústrias, o comércio e os consumidores.

A homenagem nacional às duas categorias também possui raízes históricas. O Dia do Colono foi instituído pela Lei Federal nº 5.496, de 1968, para ser comemorado em 25 de julho. A data recorda a chegada dos primeiros imigrantes alemães a São Leopoldo, em 1824.

O Dia do Motorista foi oficializado no mesmo ano, por meio do Decreto nº 63.461. A escolha coincide com o dia dedicado a São Cristóvão. No interior do Rio Grande do Sul, as duas referências se aproximaram e deram origem a festas comunitárias que associam fé, trabalho e convivência.

Em Barão, os desfiles tornaram essa história visível. A carroça representa o tempo em que a força animal sustentava grande parte do deslocamento rural. O trator registra a mecanização do campo. O caminhão simboliza a expansão do transporte rodoviário e a necessidade de levar a produção cada vez mais longe.

Os veículos mudaram. A relação entre o campo e a estrada permaneceu. É essa ligação que as comunidades de General Neto Alto e Francesa Alta transformaram em tradição e preservaram por mais de três décadas.

 

Imagem: Ilustração.
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.

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