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Da carroça ao queijo premium: como o cooperativismo transformou a produção de leite em Barão

30/07/2026 às 21:29 // Agricultura.

Série Especial | 30 anos da agricultura de Barão

Houve um tempo em que produzir leite exigia muito mais do que cuidar do rebanho. Era preciso abrir estradas, enfrentar o barro, transportar a produção a cavalo e fabricar queijo sem energia elétrica. O trabalho era essencialmente manual e dependia da união entre as famílias da comunidade.

Oito décadas depois a Cooperativa de Laticínios General Neto produz cerca de 1.200 queijos por dia, recebe entre 10 mil e 12 mil litros de leite diariamente e reúne produtores que investem continuamente em tecnologia para aumentar a produtividade e entregar um produto de maior valor agregado. A transformação da cooperativa acompanha, em muitos aspectos, a própria evolução da agricultura de Barão.

A história foi contada ao Jornal Ação por Paulino Haas, produtor de leite da Granja Haas e atual presidente da cooperativa. Embora esteja há pouco tempo na presidência, sua ligação com a instituição começou muito antes. Os pais já eram associados, e o avô materno integrou o grupo dos 22 agricultores que, em 14 de abril de 1946, fundaram a Cooperativa de Laticínios General Neto.

"É uma história que vem da família. Os pais já participavam da cooperativa e meu avô esteve entre os fundadores", resume.

Naquela época as dificuldades iam muito além da produção. Durante cerca de três décadas após a fundação, a comunidade ainda não contava com energia elétrica. O leite era recolhido de propriedade em propriedade a cavalo, enquanto os produtores percorriam longas distâncias por estradas de chão abertas pelos próprios moradores.

As lembranças transmitidas pelas gerações anteriores mostram uma realidade distante da atual. Além de produzir alimentos, as famílias também construíam e mantinham as estradas, trabalhavam na lavoura, cuidavam dos animais e fortaleciam a vida comunitária, marcada pela colaboração entre vizinhos e pela religiosidade.

Paulino também guarda recordações da infância, quando voltava da escola para ajudar o pai nas atividades da propriedade. Naquela época, produzir cerca de 100 litros de leite por dia já colocava um agricultor entre os maiores fornecedores da cooperativa.

Hoje, a realidade é completamente diferente. Somente a Granja Haas produz, em média, 1.400 litros de leite por dia.

Grande parte dessa transformação, segundo ele, está diretamente ligada à tecnologia.

A mecanização chegou às lavouras, à ordenha e também ao processamento industrial. Se antes o coalho era cortado manualmente, hoje máquinas realizam esse trabalho com precisão. O leite passou a ser armazenado em tanques de refrigeração logo após a ordenha e é coletado por caminhões equipados com tanques térmicos, preservando a qualidade da matéria-prima até chegar à indústria.

Outro marco lembrado por Paulino foi a aquisição do primeiro pasteurizador da cooperativa, equipamento que elevou o padrão sanitário da produção. Mais tarde vieram as embalagens a vácuo e a possibilidade de comercializar o queijo colonial já fatiado ou em meia peça, agregando valor ao produto e ampliando sua presença no mercado.

"O queijo deixou de ser apenas um produto artesanal. Hoje ele chega ao consumidor com outro padrão de qualidade, resultado dos investimentos feitos ao longo dos anos", destaca.

A infraestrutura também acompanhou essa evolução. Paulino recorda que, no início da década de 1990, o caminhão responsável por recolher o leite frequentemente atolava nas estradas da comunidade. Em uma ocasião, seu pai precisou usar o trator para retirar o veículo do barro.

Hoje, a maior parte dos acessos está pavimentada ou em boas condições de tráfego. Ainda assim, ele considera fundamental a conclusão do asfaltamento da ligação entre Barão e São Vendelino, obra que, na avaliação dele, fortalecerá ainda mais o escoamento da produção e as relações comerciais da região.

Ao longo desse processo, o cooperativismo teve papel decisivo.

Segundo Paulino, a Cooperativa General Neto sempre manteve um olhar voltado ao produtor, valorizando o leite entregue pelos associados e oferecendo condições que incentivam sua permanência na atividade. Esse trabalho foi fortalecido por parcerias com instituições financeiras, programas públicos de incentivo e apoio de diferentes entidades, que permitiram investimentos em equipamentos, veículos e ampliação da estrutura industrial.

Na própria Granja Haas, financiamentos com linhas de crédito voltadas ao setor leiteiro possibilitaram a aquisição de novas tecnologias, como um descompactador de solo de última geração, utilizado para melhorar as condições das pastagens e aumentar a produtividade.

Enquanto a cooperativa amplia sua capacidade de processamento, novos projetos já são discutidos para o futuro. Entre eles estão a produção de nata, queijo ralado e, futuramente, iogurtes. Antes disso, porém, a prioridade é consolidar os investimentos realizados na recente ampliação da indústria.

Para Paulino, crescer de forma responsável sempre foi uma característica da cooperativa.

Outro aspecto que o anima é a sucessão familiar. Em um período em que muitas propriedades enfrentam dificuldades para manter os jovens no campo, ele vê na própria família um movimento contrário. Assim como deu continuidade ao trabalho iniciado pelas gerações anteriores, acredita que os filhos enxergam na atividade rural um futuro possível.

Ao olhar para a trajetória iniciada em 1946 por um pequeno grupo de agricultores, Paulino vê uma transformação construída passo a passo, sem perder de vista as origens.

Da época em que o leite seguia a cavalo pelas estradas de chão até a produção de um queijo colonial reconhecido pela qualidade, a história da Cooperativa General Neto revela que a evolução da agricultura de Barão não aconteceu apenas pela força das máquinas, mas também pela capacidade de seus produtores de trabalhar juntos, investir continuamente e transformar tradição em desenvolvimento.

 

 

Imagem: Cooperativa de Laticínios General Neto/Arquivo ou Divulgação.
Texto: Rita Santos para o Jornal Ação.

 

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